Pior do que o cigarro, estar sentado acelera o envelhecimento

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Pior do que o cigarro, estar sentado acelera o envelhecimento

 (tradução livre de Francês para Português da carta informativa de «Santé Nature Innovation», de 30-01-2018; https://www.santenatureinnovation.com/cigarette-assis-vieillissement/)

Esta actividade inocente bloqueia metade da irrigação sanguínea das vossas pernas em 60 minutos e reduz a vossa esperança de vida de 2 horas cada vez que a pratica.

Cara leitora, caro leitor,

Cada cigarro fumado reduz onze minutos a vossa esperança de vida.
Mas, a cada hora que passamos sentados a redução é de duas horas!!!
Na posição sentada, os músculos amolecem, os vasos sanguíneos ficam sujos, a gordura acumula-se e até os nossos ossos tornam-se como pastilha elástica. Com efeito, da mesma forma que os músculos, tornam-se mais moles quando não são solicitados. A ausência de contrações musculares reduz o fluxo sanguíneo através o corpo. Os processos biológicos ficam mais lentos. As funções metabólicas e cardiovasculares abrandam: por exemplo, a glucose do sangue não é queimada, danifica os pequenos vasos sanguíneos (capilares) e reduz a sensibilidade das células à insulina.
Segundo uma meta-análise realizada em 2012, as pessoas que passam muito tempo sentadas têm duas vezes mais probabilidade de sofrer de diabetes ou de doença cardíaca do que as que passam pouco tempo sentadas [1].
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o excesso de tempo passado sentado constitui a quarta causa de morte.

Os estragos da civilização do sofá

Nas casas, nos escritórios, transportes públicos, em todo o lado, encontramos assentos almofadados, poltronas, sofás que nos permitem viver sentados e, até mesmo, estendidos. De tal maneira que esquecemos que não existe nada que se pareça a uma cadeira no ambiente natural.
Tradicionalmente, os homens sentavam-se no chão, eventualmente apoiados numa rocha. Ou, então, em cima de uma pedra ou tronco de uma árvore. Mas, estas posições «desconfortáveis» obrigavam-nos a manter os músculos tonificados.
Durante milhões de anos, nada existiu na vida quotidiana que se parecesse com uma cadeira, e muito menos a uma poltrona. A posição sentada era desconfortável e obrigava a manter os músculos tónicos. Os Egípcios, e depois os Romanos, tinham uma espécie de cadeira reservada para o faraó e personalidades importantes (cadeira curul). Esta é a origem do «trono» dos nossos reis, um símbolo de poder.
Sentar-se era o privilégio apenas do rei! As outras pessoas todas ficavam de pé. Este privilégio transmitiu-se às igrejas cristãs onde, historicamente, apenas os chefes (os bispos) tinham o direito de se sentar numa cadeira! Aliás, na origem, a palavra «catedral» não designava o edifício, mas a cadeira do bispo que se encontrava no interior (cathedra: « assento com costas » em grego)!
Foi apenas muito recentemente que as igrejas foram enchidas de cadeiras. Nos quadros antigos não se vêem cadeiras nas igrejas! Por exemplo, a catedral de Antuérpia, pintada no século XVII mostra como as pessoas passeavam (com o seu cão!), encontravam-se, conversavam, mas ninguém estava sentado numa cadeira, excepto o chefe da igreja, o bispo. Na Idade Média, a nobreza dispunha até do privilégio de circular a cavalo no interior da igreja. Os outros ficavam de pé.

A recente invasão das cadeiras

A invasão das cadeiras e das poltronas nas nossas vidas apenas começou no século XVIII na Europa, com o desenvolvimento do «estilo» Luís XV e Luís XVI. Os banquetes já não se realizavam à volta de mesas de cavalete à volta das quais dançava-se, mas as pessoas começaram a querer passar horas na mesa ou a conversar nos salões.  As famosas «bergères Luís XV»  foram os primeiros cadeirões de massa confortáveis a se espalhar no interior das casas. Mas, estavam, naturalmente, reservados aos ricos. No entanto, essas cadeiras e poltronas permaneceram, durante muito tempo, extremamente desconfortáveis. Aliás, as pessoas sentadas não eram supostas apoiar-se na parte de trás da cadeira e muito menos balançar-se nela – eram demasiado frágeis para isso.

O irresistível sofá moderno

Actualmente, estamos rodeados de poltronas e sofás hiper confortáveis e atrativos. Os sofás modernos, frequentemente, parecem-se com camas. Mesmo que não seja essa a nossa intenção, o simples facto de passar por perto dá vontade de desabar nele, por prazer. Portanto, é preciso uma capacidade de resistência fora da norma para ficar em pé, andar, sobretudo quando os nossos carros, também eles, são tão confortáveis e fáceis de utilizar. Basta carregar num botão e, já está, o carro arranca!

Quase impossível compensar

É ilusório imaginar compensar, com a prática desporto, todas as horas passadas sentado. Os benefícios para a saúde de uma hora de desporto ficam completamente aniquilados por seis horas passadas na posição sentada [2] ! (…) Para uma saúde óptima, é preciso fazer 10 000 a 15 000 passos por dia. É muito e, na maioria das profissões, não se consegue fazer isso sem prever especificamente itinerários para fazer a pé todos os dias.
Encorajo-vos mesmo a fazer de tudo para ficar de pé, e andar, sempre que possam. É uma das coisas mais simples e mais importantes que podem fazer para a vossa saúde.

O único «pormenor» (que não o é, uma vez que é muito importante) é cuidar da vossa postura para ficar de pé corretamente e andar convenientemente. A ideia geral é ficar direito, mas relaxado, maximizando a distância entre a bacia e os ombros.(…)

Saúde!

Texto original de Jean-Marc Dupuis
Tradução de francês para português: Marie-Claire Martin

Fontes desta carta informativa:
[1] Diabetologia 2012: 55(11); 2895-2905
[2] Mayo Clinic Proceedings August 2014;89(8):1063-71

 


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